07/11/2019 às 20:33 Livros e Referências

ROBERT DOISNEAU, POETA VISUAL DO QUOTIDIANO

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Robert Doisneau (1912-1994) é um daqueles fotógrafos que fizeram da fotografia não uma arte de truques pirotécnicos, mas sim pequenos poemas visuais. Suas narrativas são curtas, singelas, mas profundas, que descrevem o quotidiano simples, efêmero, palpável e real, mas que, por isso mesmo, nos revelam e devolvem nossa condição humana.

Como pessoa e como artista sua timidez, paciência, gentileza e humor foram notórias. Essa fraternidade com o Humano, está explícita em sua vocação para captar com lirismo os gestos comuns das pessoas comuns em situações banais. E disso fazer Arte com A maiúsculo.

Monsieur Doisneau tinha uma cumplicidade enorme com seus fotografados (muitas das fotos foram cuidadosamente dirigidas) e colecionou ao longo da vida instantes e cenas imortalizados em imagens (a maior parte deles nos subúrbios de Paris), sempre com um olhar muito pessoal.

Nisso ele se aproxima de outros poetas que, ao contrário, usaram caneta e papel (e não uma câmera) para falar da vida miúda e das cenas da gente comum.

Como o sempre lembrado Mario Quintana ou Pablo Neruda (e suas odes às coisas mais banais que um poeta poderia inspirar-se para dedicar seus versos, como: cebolas, bicicletas, flores e dicionários).

Conheci o trabalho de Doisneau muito antes de profissionalizar-me na fotografia. E entre tantas fotos de seu vasto acervo que vi em livros, uma em particular me cativou. 

A foto em questão (ao lado) revela a alma do poeta por trás das lentes, seu olhar lírico sobre os pequenos momentos da vida. E, ao menos para mim, ela dispensa maiores explicações.

07 Nov 2019

ROBERT DOISNEAU, POETA VISUAL DO QUOTIDIANO

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